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sábado, 25 de julho de 2009

"A mídia é o primeiro poder"



Quando o assunto é futebol, a mídia é o primeiro poder. Times entram e saem de crises, técnicos são demitidos e contratados e jogadores são craques ou fracassos quando a mídia bem entende.

É impossível conceber que a mídia retrata sempre representa a opinião dos torcedores, pois não seria possível fazer isso. O que realmente acontece é que a opinião dos torcedores é uniformizada de cima para baixo, da opinião dos comentaristas e jornalistas da grande mídia para quem recebe as informações (o torcedor comum). Adorno estava certo.

A influencia dos comentaristas está ligada, diretamente, a sua exposição, e não necessariamente à qualidade de seu comentário (o que seria bom). A prova é que a maioria dos poucos bons comentaristas não se preocupa em formar opinião, mas sim em analisar os fatos e explicar os resultados. Um bom comentarista (como um bom historiador, na visão de Hobsbawm) é o cara que não se preocupa em apostar no cavalo vencedor antes da corrida, mas sim descobrir porque este ganhou, após ela ter acontecido.

Mas, enquanto os comentaristas muito bons são poucos, a mídia continuará a viver de derrubar técnico e colocar jogador contra a torcida. Sejamos telespectadores exigentes.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Queimando Craques

Há tempos venho percebendo que a torcida e o Luxemburgo vem queimando o Keirrison, de forma equivocada.



Agora, com a eliminação da Libertadores, esse fenômeno se intensifica, e com a eliminação do São Paulo, outro jogador deve juntar-se ao Keirrison na fogueira do futebol brasileiro: Hernanes. Com certeza o são-paulino será cornetado como o Keirrison foi, ontem, falando que são jogadores que somem na hora da decisão.

Esse argumento de que "jogador bom brilha em decisão", para mim, é desculpa de comentarista para explicar porque o time perdeu, quando na verdade esse argumento não explica nada. A perda do time não pode cair só sobre um jogador, a não ser que o time todo tenha tido uma exibição primorosa, e só esse jogador estragou tudo (o que eu nunca vi na vida). Se o Palmeiras tivesse criado 2000 oportunidades, e o Keirrison desperdiçado todas, ele seria o culpado; ou se o Hernanes tivesse errado todos os passes para os atacantes, também seria só ele o culpado - mas quando o time joga mal, não tem como culpar só um jogador.



(sem falar que o Keirrison da velocidade na criação de jogadas do Palmeiras, o que os outros jogadores não fazem; e o Hernanes colocou dois atacantes são-paulinos com chances de marcar dentro da área com lançamentos quase do meio-de-campo, que não são lembrados porque os atacantes perderam o gol).

Falar que esses jogadores jogam mal não explica a derrota - só atesta um fato que qualquer um pode ver pela televisão. Um bom comentarista deveria explicar esses fatos, já que por si só fatos não explicam, só mostram. Até por isso são poucos os bons comentaristas na mídia brasileira, já que muitas vezes, por serem jornalistas, dão mais ênfase à notícia do que ao que não se pode ver, pois é de se esperar que um jornalista se apegue aos fatos concretos (não há nada de errado com isso, e não preciso dizer que não são todos os jornalistas assim, mas cobrir o jogo não é comentá-lo, mesmo que não seja ao vivo).

Queimar esses jogadores é típico de comentaristas que acham que só existiu futebol em 70 e 82, e esperam que o Keirrison seja como um tostão, um Careca, e que o Hernanes seja como o Falcão ou o Gerson, como se algum dia eles aceitassem que os jogadores atuais possam ser melhores que os jogadores de antigamente; o pior, como se esses jogadores modelos tivessem ganhado todos os jogos decisivos que jogaram. São os mesmos que depois choramingam quando os bons jogadores vão para fora, sem perceber que eles ajudaram para isso.

Um exemplo que vem a calhar foi o de Kaká, que ao dar a entrevista coletiva sobre sua transferência para o Real Madrid, não agradeceu o São Paulo por sua evolução: de fato, sem apoio da torcida e chamado se amarelão pela mídia, eu também não guardaria boas lembranças daqui; o que o Keirrison também não vai guardar, infelizmente.

terça-feira, 24 de março de 2009

Neymar e a mídia

Acho difícil saber se o Neymar é super-estimado ou não.

A princípio todo mundo falaria que ele é, porque todo mundo fala dele. Mas todo mundo que eu ouço falar dele fala a mesma coisa: "Ele ainda é jovem, pode ser um grande craque mas é preciso calma". Como se não fosse óbvia essa constatação.

A verdade é que sem publicidade ninguém conhece o produto; a mídia fala do Neymar toda hora, mesmo que seja para falar que é preciso ter calma com ele. Se é preciso ter calma, então fala-se uma vez e espera-se os anos ou os fatos para voltar a se falar dele. Mas não, a mídia faz um escarcéu sobre como é "preciso ter paciência", e aí expõe o jogador dezenas de vezes por um dia, sempre falando que ele é exposto demais.

Geralmente a mídia cria a maior parte das polêmicas que ela mesmo acha desnecessária. Lembro quando o Leandro disse que o Palmerias era 60% favorito, por jogar em casa contra o São Paulo, e aí foi uma bagunça, toda mídia falando que o Palmeiras isso, que o São Paulo aquilo, quando na verdade a frase dele foi inofensiva; sem falar que ele pode achar o que quiser.

A mídia é bem imparcial, mas não atua como um corpo só, mas sim com as ramificações, que é cada jornalista/comentarista/narrador separado. Por isso que eles fazem e acham que não fazem, porque não há um compromisso de classe, e (talvez) eles não se dêem conta que a ação individual, com a influência da mídia de massa nos receptores, faz com que, mesmo que a mensagem seja para se ter calma com o Neymar, a repetição dessa mensagem saturadamente por diversos momentos faça com que o Neymar seja super-exposto. Se estivessem falando mal do Neymar, a carreira dele já havia acabado.



A mídia cria a crise, a mídia tira da crise. A sorte é que eles não atuam centralizados, geralmente estão dispersos e têm opiniões conflitantes, porque senão ditariam a maioria dos fatos do mundo do futebol, só com repercussão e interpretação dos fatos anteriores.